O que o show de Bad Bunny no Super Bowl ensina sobre reputação

O show de Bad Bunny no Super Bowl não foi apenas entretenimento. Foi uma aula de reputação.

É bem provável que você esteja entre os mais de 135 milhões de telespectadores que tornaram a atração recorde de audiência. Durante alguns minutos, milhões de pessoas ao redor do mundo pararam para assistir a uma performance. Mas o que aconteceu, na verdade, não foi apenas um espetáculo musical, foi a materialização de uma estratégia reputacional construída há bastante tempo.

O Super Bowl se tornou o maior palco de validação simbólica do planeta. Não é sobre música, esporte ou publicidade. É sobre quem tem o direito de ocupar o centro da atenção global. E essa escolha nunca é aleatória, até porque, reputação não nasce no palco. Ela chega pronta.

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Reputação não nasce no palco. Lá, ela já chega pronta

Em primeira análise, é preciso dizer que Bad Bunny não “viralizou” do dia para noite, mas sim, ele faz parte de uma construção. Em 2025, foi o artista mais ouvido em todo o mundo, com 19,5 bilhões de reproduções no aplicativo de streaming Spotify. Após a sua apresentação no Super Bowl, no último domingo, registrou alta de 426% em reproduções somente no Brasil. 

Reputação é construção, constância, soma, repertório e legado. Antes de ser a atração da edição número 60 do Super Bowl, Bad Bunny acumulou anos de narrativa consistente, posicionamento cultural claro, leitura precisa de timing, contexto e audiência, fazendo com que o palco revelasse o que já estava consolidado.

E essa é a primeira grande lição sobre reputação: visibilidade por visibilidade não cria reputação, ela apenas expõe o que já existe. Ou seja, é preciso alinhamento entre discurso e prática, narrativa forte e consistente, além de compreender sobre públicos e seu peso nessa construção.

O principal equívoco das empresas sobre reputação

É comum se deparar com situações em que empresas acreditam que reputação é sinônimo de:

  • logotipo bonito
  • postagem em redes sociais
  • campanhas bem produzidas
  • “viralizar”

Mas reputação é outra coisa.

  • o que falam da sua marca quando você não está na sala
  • a leitura emocional que as pessoas fazem da sua empresa
  • o grau de confiança que antecede qualquer decisão de compra

Reputação é percepção acumulada no tempo. Ela é uma espécie de “colchão” que vai dar suporte a todas as demais frentes de ação de um negócio. A soma da percepção de seus públicos (interno e externo) determinam o quanto sua organização é respeitada, admirada e valorizada, seja pela opinião pública ou pelo desejo de consumo de seus produtos ou serviços.

Veja também: O que o mercado precisa entender sobre a “economia da reputação”?

Mas, por que artistas entendem isso melhor do que lideranças empresariais? Justamente, porque entenderam que vivem da própria exposição, e não respaldados por cargos corporativos e CNPJs. Mas esse contexto também já mudou.

Hoje, executivos viram notícia, empresas são cobradas por posicionamento, o público já percebeu que o silêncio também comunica e incoerência destrói valor de mercado. Reputação deixou de ser proteção e virou ativo estratégico de crescimento.

Quem entender isso, entendeu tudo

O show de Bad Bunny no Super Bowl é apenas a ponta do iceberg, pois o que sustenta tudo está nos bastidores. 

Via de regra, a maioria das empresas só pensa em reputação quando o problema já explodiu, a crise já virou manchete e o dano já é irreversível. Mas isso não é gestão, é reação. Reputação se constrói antes de ser testada e o futuro pertence a quem entender isso.

Estudos recentes indicam que até 90% do valor de mercado de uma empresa está atrelado à reputação. E as marcas mais valiosas do mundo já operam assim:

  • tratam reputação como risco financeiro
  • investem em estratégia, não apenas em comunicação
  • formam porta-vozes, não apenas perfis
  • pensam em narrativa antes de pensar em visibilidade

Porque no fim, a pergunta real não é “como queremos ser vistos?”, mas sim, “que tipo de percepção estamos acumulando todos os dias sem perceber?”

Assim como Bad Bunny e outros artistas globais, empresas e líderes que desejam crescer de forma sustentável precisam entender que reputação não é consequência do sucesso. Ela é pré-requisito para ele. Até porque, o palco pode mudar, o algoritmo pode mudar e o mercado pode mudar, mas a percepção que você constrói hoje é o capital simbólico que vai definir se você será escolhido, ignorado ou deixado de lado amanhã.

Daniel Rohrig

Sócio-fundador e Diretor de Reputação Propósito Comunicação Corporativa

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