Nos últimos anos, o marketing de experiência deixou de ser um adendo tático para se tornar um dos pilares estratégicos mais relevantes para marcas que desejam conectar de verdade com pessoas. Em 2026, essa transformação acelera em direção ao que muitos especialistas chamam de experiência intencional: menos espetáculo, mais significado; menos “uau”, mais acolhimento e confiança.
E essa mudança tem implicações diretas não apenas para grandes players globais, mas para empresas em centros regionais, como Passo Fundo e toda a região norte do Rio Grande do Sul, que estão buscando formas criativas de se destacar em seus mercados.
Do espetáculo ao sentido: o novo imperativo do brand experience
Segundo o Trend Radar 2026, relatório recentemente publicado pela agência norte-americana Soho Experiential, reconhecida pela sua liderança em insights globais sobre experiências de marca, estamos entrando no que eles definem como o ano da “Intentional Experience” (Experiência Intencional).
Esse novo ciclo reconhece que, após anos em que experiências buscavam impacto por meio de grande escala, hoje o que move pessoas são momentos que:
Protegem a atenção, em vez de competir por ela.
Oferecem significado, em vez de simples estímulo.
Acolhem emoções, em vez de buscar impressão imediata.
Esse entendimento altera radicalmente a maneira de projetar eventos, ativações e pontos de contato: o foco não é mais em gerar ruído, mas em criar conexões profundas e marcantes.
Os 8 sinais que estão moldando o marketing de experiência em 2026
O Trend Radar 2026 da Soho Experiential elenca oito sinais que definem essa nova era do brand experience, conforme a publicação.
1. Calma como sinal de status – ambientes projetados para proteger a atenção e diminuir o estímulo excessivo. Menos barulho, mais leveza e conforto emocional.
2. Varejo guiado por comunidade, com espaços que funcionam como clubes e centros de convivência. Neste cenário, os pontos de venda ocupam um novo espaço para além de um contato que até pouco tempo era frio: agora passam a oferecer ativações, oficinas, bate-papos e encontros que aproximam ainda mais o consumidor das marcas.
3. Estações de criação em vez de espaços “instagramáveis”, convidando o público a participar ativamente do processo, sem ser apenas um elemento à frente de um cenário pronto.
4. Experiências multissensoriais com propósito, que ajudam a regular emoções e conectar pessoas ao momento. Espaços projetados com luzes, movimento, textura e uso de sons, mas de maneira intencional: a fim de promover o bem-estar, diminuir a ansiedade e controlar as emoções, por exemplo.
5. Storytelling em formatos pequenos, com profundidade e intimidade. Encontros com um número menor de público, com o intuito de ampliar a possibilidade das pessoas realizarem trocas mais densas e profundas sem disputar espaço em meio a multidões.
6. Jornadas de varejo mais curtas e claras, que respeitam o tempo e a atenção dos visitantes sem levá-lo à exaustão. Fluidez no processo é o conceito que define esse redesenho da jornada do cliente. Quem apostar nisso terá ao seu lado um facilitador no momento de converter de forma segura.
7. IA como co-piloto discreto, personalizando sem roubar a cena. Em um mundo cada vez mais “irreal”, o público é tomado por recursos que por vezes mais o confundem do que facilitam o dia a dia. Utilizar recursos de IA de forma sutil e eficaz, como facilitadora da experiência real e não tornando-a o centro das atenções, com certeza é uma decisão assertiva.
8. Valores visíveis na experiência, com sustentabilidade e acessibilidade integrados às construções das ativações. O público passa a ter um olhar mais criterioso para o ESG, que precisa entregar muito mais do que um discurso bonito. Na prática, as marcas estão mais expostas à maneira como tomam as decisões sustentáveis e às aplicam verdadeiramente em eventos e ativações.
Esses sinais apontam para o mesmo princípio central: experiências não são apenas momentos de contato, mas sistemas projetados para gerar impacto duradouro.

O que os consumidores querem e o que o Pinterest Predicts confirma
A mudança de comportamento do consumidor também é refletida em outros relatórios, como o Pinterest Predicts 2026, que destaca que o conforto emocional e o pertencimento tornaram-se necessidades diárias. Conforme esse estudo, 55% dos entrevistados globais priorizam o conforto como um aspecto essencial de seu consumo de conteúdo e experiências.
Ou seja, marcas que criam ambientes físicos ou digitais que entregam sentido e bem-estar conquistam não apenas atenção momentânea, mas engajamento emocional contínuo.
O que isso significa para empresas em Passo Fundo e no norte do RS
Para empresas locais em Passo Fundo, Marau, Erechim, Tapejara e demais da região norte do Estado, aplicar marketing de experiência pode parecer um desafio, mas é, sobretudo, uma oportunidade estratégica.
Aqui estão algumas aplicações práticas que podem ser adotadas já em 2026:

1. Eventos com propósito emocional
Empresas podem promover encontros que não apenas mostram produtos, mas criam contextos de pertencimento: workshops, cafés temáticos, sessões de aprendizado que promovam bem-estar, cultura ou conexões humanas profundas.
Exemplo real: a Blitz de Verão Panvel, que levou ativações interativas e de cuidado às praias do Sul, trazendo valor emocional e utilidade ao público.
2. Ativações que envolvem participação
Substituir o tradicional espaço para fotos por estações de criação: por exemplo, uma padaria local pode convidar clientes a moldar e nomear receitas especiais ou criar playlists musicais enquanto experimentam produtos.
Isso segue a lógica de marcas como Lush e Adobe, que promovem co-criação em suas experiências.
3. Encontros comunitários em espaços físicos
Transformar lojas ou espaços compartilhados em clubhouses e hubs comunitários, promovendo encontros por afinidade que agregam valor social e emocional.
A tendência de varejo centrado na comunidade aparece tanto no Trend Radar 2026 como em outros estudos sobre experiências focadas no indivíduo versus no produto.
Cases globais que inspiram o “novo normal”
Alguns exemplos internacionais ilustram práticas que dialogam com esse novo momento:

Crédito: Divulgação
Le Club Lacoste Melbourne: um clube social flutuante no Rio Yarra que proporciona convivência, cultura e conexão além da transação comercial.

Audi Revolut na Fórmula 1 de Berlim: um espaço imersivo que contextualizou a marca com tecnologia, comunidade e emoção.
Estes exemplos mostram como as experiências bem-sucedidas combinam propósito, emoção e engajamento real.
O papel das empresas locais: olhar estratégico + execução criativa
Para organizações de Passo Fundo e região norte do Rio Grande do Sul, o desafio e a oportunidade estão na adaptação inteligente dessas tendências ao contexto local:
Entender quem são seus públicos e como gerar valor para eles em cada ponto de contato.
Usar tecnologia (simples ou avançada) para facilitar experiências, não para distrair.
Criar momentos que façam sentido, não apenas eventos impressionantes.
O marketing de experiência em 2026 é, antes de tudo, sobre pessoas, significado e conexão.
O ano de 2026 convida as marcas a repensar suas estratégias de experiência: menos espetáculo, mais sentido; menos estímulo, mais acolhimento. Com base em tendências globais, como o Trend Radar 2026 da Soho Experiential e as previsões do Pinterest Predicts sabemos que experiências que ressoam emocionalmente com o público são o novo diferencial competitivo.
Para empresas em Passo Fundo e na região norte do Rio Grande do Sul, isso representa uma oportunidade não apenas de inovar, mas de criar laços reais com seus públicos e manter relevância em um mercado cada vez mais orientado pela experiência humana e intencional.
O marketing de experiência não é apenas a grande aposta de 2026: é o ponto de partida para marcas que querem transformar impacto em valor duradouro.
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por Lucas França
Sócio-fundador e Diretor de Eventos Corporativos da Propósito Comunicação Corporativa

